Porque eu estou indo mochilar (de novo)?

 

Faltam poucos dias pra eu começar a trip e o coração já tá todo emocionado.
Para quem não sabe eu já estou viajando por aí entre idas e vindas desde 2014, mas esse mochilão de agora estou me propondo a conseguir tudo que precisar no caminho usando meus trabalhos com aquarela, tattoo e grafiti como moeda de troca. Durante a viagem vou fazer flash tattoo e ilustrações presenciais, mas o dinheiro desses trabalhos serão somente para alguma emergência tipo eu precisar de um hospital e para guardar para minha viagem do segundo semestre que eu não vou falar nada agora porque sou supersticiosa.
Essa é uma forma de conhecer o meu lindo país e seus diversos povos, ganhar mais experiência com o meu trabalho e ter mais fé no ser humano.

Eu nunca imaginaria que aos 28 anos minha vida estivesse como está agora. Há 10 anos atrás eu achava que nessa idade eu estaria morando em alguma cidade modelo ~~afastadinha~~ da cidade grande, mas como eu teria um super carro tudo bem ir pra capital quando precisasse. Achei que já estaria casada há anos, com um apê grande e um labrador dourado no meu tapete da sala. Nossa! como eu mudei. E ainda mais nos últimos dois anos.

Meu modo de ver e viver a vida mudaram e eu pude perceber com mais clareza os melhores caminhos.

Desde o início de 2015 muita coisa aconteceu. Passei por uma depressão, fui morar no meio do mato, casei/morei junto, fiz terapia, tomei remédios estranhos, fiz muitas coisas pela primeira vez. Busquei muitas formas de ficar bem, mas foi viajando que eu realmente me encontrei.

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Uruguai, Agosto de 2016.

Eu fui a minha própria companhia em grande parte desse período e isso exigiu que eu fizesse as pazes comigo mesma, que eu me perdoasse. Tive que entender que sendo gentil com as minhas próprias questões era o melhor jeito de lidar com tudo. Não foi nada fácil encarar todas as minhas neuras de frente, mas agora sinto que essa experiência de lutar contra os meus demônios fez com que eu criasse mais autoconhecimento. Agora sei o que me faz bem e o que me faz mal e tendo consciência disso desenvolvi uma auto proteção e consequentemente (na minha opinião) um amor próprio.

Agora que sei as situações e tipo de pessoas que são tóxicas para mim, então eu simplesmente me afasto e acho que isso é uma das melhores coisas que podemos fazer por nós mesmas.

Com tudo isso acontecendo aqui dentro, comecei a questionar toda a estrutura que dava base para a minha vida. O que mais me doeu foi perceber que eu estava aos poucos abrindo mão de coisas que acreditava para ficar na comodidade de um sistema que só me boicota.
Eu não sou de expor coisas tão pessoais, mas nesse período eu ví a minha vida por um fio algumas vezes. Depois de um longo processo pra ficar mais tranquila com a ideia de viver, minhas antigas motivações pra fazer qualquer coisa já não fazia mais sentido. Eu tinha um acúmulo de energia em coisas que não eram importantes. Dedicar a minha vida a uma rotina que pouco me acrescentava doía demais. Experiências superficiais baseadas em consumo de coisas que não precisava me satisfazia por algumas horas e depois me deprimia. Eu quero ser mais do que os números dos meus documentos.

Sei que é clichê e super ~~auto ajuda~~ , mas eu simplesmente não consigo aceitar que os meus dias não são pra mim ou para algo que eu acredite. Quando entendi que pra mim não dá eu comecei a ficar melhor. Acho que finalmente achei o local da inflamação e estou no processo de limpar o pus e fazer curativo, sabe?

Estou indo mochilar porque quero muito conhecer todo o país e todas as minas que me ajudam a tudo acontecer, mas também estou indo porque acredito que viajar nessa condição de não envolver o dinheiro no que eu precisar no caminho vai me trazer trocas mais reais. Só vai trocar comigo quem se identificar com o que eu tiver pra contar. Quem trocar comigo vai estar disposto a parar pra me ver como um outro ser humano precisando de algo. Eu não sei vocês, mas acho que isso é umas das coisas mais verdadeiras que podem acontecer. Essa ideia me fascina!

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Organizando a mochila ❤ Fotos do ensaio que troquei por tattoo com a Maria Ribeiro.

Pela primeira vez estou partindo bem. No fundo eu sempre viajei fugindo de alguma coisa. Dessa vez estou indo pra encontrar. O que eu procuro exatamente eu não sei, mas tenho quase certeza que tem algo a ver com ter sabedoria pra apreciar o trajeto. Aquela coisa de “um dia por vez”. Eu acredito muito nessa coisa de “seja a mudança que você quer ver no mundo” e é o que quero pra mim e pra quem estiver no meu caminho.

Vou aproveitar e agradecer a todas que acreditam e apoiam o meu trabalho, que me escrevem de todo os lugares, mandam presentinhos (hahaha), me para nos rolês, nas ruas de SP sempre com palavras maravilhosas que me fazem continuar. Essa trip não seria possível sem todas vocês ❤

No próximo post eu já estarei em Salvador ❤
Até lá. Eve ❤


Why am I backpacking (again)?

There are just a few days left until I beginn my trip and my heart is excited. If there is someone who doesn’t know it: I’m travelling there and else where since 2014 and for this backpacking trip I will not take any money with me. I will use my work with watercolors, tattoos and grafitis for exchange. During my trip I will do flash tattoos and illustrations. The money I will earn from this I will keep it for some kind of emergency and also for my trip next semester but I will not tell you anything about it now because I’m superstitious.
This one will be kind of getting to know my beautiful country and its people, also get more experience with my own work and have more faith in the human being.
I never thought that with 28 years I would be like this. 10 years ago I thought that at this age I would be living in some small town – bugged – by big cities but having a cool car to go to the capital city whenever I need to. I thought that I would be married for years then having a big apartment and a Golden Retriever. Wow! How I have changed. And even more in the last two years.
Mi view of life and living it have changed and so I could see what are the best ways for me a whole lot easier.
Since the beginning of 2015 a lot happend. I went through depression, I went to live in the middle of nowhere, I lived with my partner, I did therapy, I tried medicamantation, I did many things for the first time. I searched for a way to be good and so I also travelled and so I found myself.
I was my only companion in this time so that made me make peace with myself, that I had to forgive myself. I had to understand that making peace with my inner conflicts was the best kind to deal with it. It wasn’t easy. Today I feel like fighting my inner demons made me to get to know myself better. Today I know what’s good for me and what’s bad. I am more aware and so I developed an autoprotection and a consequent (in my opinion) love for myself.
Now I know the situations and the people that are toxic for me, so I just go away from it and I think that that’s the best what we can do for ourselfes.
With all that inside of me I began to question all the structures that formed the base of my life. What most hurt me was that it just became clear to me that I was living in the comfort of a system that constantly was exploiting me.
I’m not a person who shares so personal things but in this period I saw my life on a string sometimes. After a long process I got calmer with the idea of living, of my old motivation doing things that now didn’t make sense anymore. I wasted so much energy in things that weren’t important. Dedicade my life to a rutine that wasn’t for me hurt too much. Consuming things satisfied me for some hours but than it made me sad. I want to be more than the number of things I have. I didn’t want to accept that my days weren’t for me or what I believe in. When I got that I began to feel better.
I’m backpacking because I really want to get to know my own country and also all the girls that are helping me. Also I’m doing that because I think that travelling like this (not spending any money) will give me something much realer. I will interact with that people that feel identified by the things I say. Who will be interacting with me will just see me as another human being needing something. I think that this is one of the realest things that can happen. The idea fascinates me!
This is the first time that I will leave Sao Paolo being good. Before I always travelled to escape from something. This time I go to discover. I’m not sure for what I’m searching but I think that its related to wisdom to appreciate the route. I believe in „be the change that you want for the world“ and that’s what I want for me and for everyone who is there on my way.
I will enjoy and appreciate all of you that are supporting my work, that are writing me from all over the world, that are sending me presents (hahaha), that are always there in the streets of Sao Paolo telling me beautiful things that make me going on with my work. This trip would not be possible without you ❤

 For the next post I will already be in Salvador ❤
See you. Eve ❤

 

Porque me voy a mochilear (otra vez)?

Faltan pocos días para que empiece mi viaje y mi corazón ya está emocionado.
Para los que no lo saben: yo viajo por allí y allá desde 2014, pero este viaje de ahora intento pagarlo todo con mi trabajo. Durante el viaje voy a hacer flash tattoos y ilustraciones presenciales, pero el dinero de esto va a ser solamente para alguna emergencia como para poder ir al hospital y lo guardaré para mi viaje del segundo semestre, pero no voy a concretar nada ahora porque soy supersticiosa. Esa es una manera de conocer mi país lindo y sus pueblos diferentes, adquirir más experiencia con mi trabajo y tener más fe en los seres humanos.
Yo nunca me imaginé que con los 28 años que tengo mi vida fuera como es ahora. Diez años antes yo pensaba que con esta edad yo estaría viviendo en alguna ciudad más lejos, pero teniendo un coche de la hostia para poder ir a la capital cuando lo necesitase. Pensé que ya estaría casada para un par de años, teniendo un apartamento grande y un labrador dorado. Joder! Cómo cambié. Y aún más durante los últimos dos años.
Mi manera de ver y vivir la vida cambiaron y podía ver con más claridad los mejores caminos para mí.
Desde el inicio de 2015 muchas cosas pasaron. Tenía depresión, fui a vivir lejos de la civilización, mi ex novio y yo vivimos juntos, hice una terapia, tomé medicaciones muy raras, intenté muchas cosas por la primera vez. Probé muchas maneras diferentes para sanarme, pero viajando fue cómo  me encontré.
Yo era mi única compañía la mayoría del tiempo y eso me obligó a firmar las paces conmigo misma, a perdonarme, Tuve que entender que siendo gentil con mis proprias necesidades era la mejor manera de tratarme. No fue nada fácil enfrentar todas mis neurosis, pero ahora siento que estas experiencias de luchar contra mis demonios hizo crecer mi autoconocimiento. Ahora sé qué me viene bien y qué me viene mal, y teniendo consciencia de eso, desarrollé una autoprotección y consecuentemente (en mi opinión) un amor proprio. Ahora sé qué situaciones y qué tipo de personas son tóxicas para mí, entonces solamente me aparto y creo que es la mejor cosa que podemos hacer por nosotras mismas.
Con todo eso pasando por dentro, empecé a cuestionar todas las estructuras en las que se apoyaba mi vida. Me dolía mucho darme cuenta de que estaba aguantando cosas en las que no creía para poder quedarme en la comodidad de un sistema que me estaba boicoteando.
Normalmente no hablo mucho de cosas personales, pero en ese período vi mi vida en peligro algunas veces. Después de un proceso largo para quedarme más tranquila con la idea de vivir, mis antiguas motivaciones. Yo ponía mucha energía en cosas que no eran importantes. Dedicar mi vida a una rutina que no me hacía crecer me dolía demasiado. Experiencias superficiales baseadas en el consumo de cosas que no necesitaba me satisfizo durante algunas horas y después estaba deprimida. Quería ser más que el número de mi documento.
Sé que es un tanto ~autoayuda~ pero yo simplemente no podía aceptar que mis días no eran para mí o para algo en que yo creía. Cuando entendí que no podía vivir asi empecé a mejorarme. Creo que finalmente encontré el lugar de la inflamación y estoy en el proceso de limpiarlo y curarlo.
Voy a mochilear porque tengo ganas de conocer todo mi país y todas las chicas que me ayudan a hacer mis planes realidad, pero también me voy porque creo que viajar en esas condiciones de no necesitar dinero en mi camino me va a traer cambios más reales. Solamente va a cambiar conmigo quien tenga alguna identificación con lo que tengo para decir. Quien cambie conmigo va a tener disposición para verme como un ser humano necesitado de algo. No sé sobre nosotros, pero yo creo que eso puede ser una de las cosas más verdaderas que puede suceder. Esa idea me encanta!
Por primera vez voy a viajar tranquila. En verdad yo siempre viajé huyendo de alguna cosa. Ahora me voy para encontrarme. Lo que busco exactamente tampoco lo sé, pero es casi cierto que es algo como tener sabiduría para disfrutar mi trayecto. Yo creo en cosas como “sé el cambio que quieres ver en el mundo” y es lo que quiero para mí y para quien esté en mi camino.
Aprovecho para agradecer a todos los que creen y apoyan mi trabajo, que me escriben de todas las partes, me envían regalitos (jajaja), me llaman en las calles de São Paulo siempre con palabras maravillosas que me hace continuar… Este viaje no sería posible sin todos ustedes ❤

En mi próximo post voy a estar en Salvador ❤
Hasta entonces. Eve.

 

 

lições de 2016 para praticar em 2017

Olá queridos e queridas  ❤
Voltei pra São Paulo no intuito de ficar alguns meses, mas a vontade de mochilar é mais forte e dessa vez eu vou fazer um roteiro que quero há muito tempo. Finalmente vou conhecer de verdade o Nordeste e Norte do Brasil. Eu já fui pra Salvador e Fortaleza, mas trabalhei tanto que nem consegui ver a cidade como ela realmente é.

Dessa vez eu vou fazer essa trip de uma maneira diferente.
Quero passar pela experiência de conseguir trocar o meu trabalho com ilustração, street art e tatuagens por tudo que eu precisar no meu caminho. Transporte, hospedagem, alimentação, necessidades básicas e etc.
Estou em um momento da minha vida em que valorizo muito as trocas de vivências e quero mesmo acreditar que as pessoas são boas e acredito que mochilar nesse extremo e contando a minha história as pessoas vão me ajudar.
Durante o caminho eu também vou fazer flash tattoo e ilustrações presenciais e com essa grana eu já me garanto pra possíveis emergências , coisas que eu não conseguir trocar e guardar pra próxima trip que será no segundo semestre de 2017.

Vou postar semanalmente aqui no blog a viagem, lugares e as pessoas incríveis que eu conhecer no caminho e tudo que eu conseguir trocar usando meu trabalho como moeda de troca. Acredito que o primeiro post desse “projeto de vida” eu já consiga também colocar a versão em inglês e espanhol porque eu estou realmente dedicada a aprender essas línguas.

2016 foi um ano que quebrei muitas barreiras internas e externas, interesses e prioridades mudaram e agora eu estou aberta pra viver da maneira que eu acredito ser a mais satisfatória pessoalmente, adquirir autoconhecimento e histórias pra contar.

Talvez eu tenha perdido aquele “ideal de artista” que almeja o reconhecimento pelo quanto vale a sua obra. A partir do momento que o dinheiro me afasta do meu intuito de falar com mulheres, pra mim já não serve. Pra quem eu desenho talvez nunca tenha entrado em uma galeria. As mulheres negras brasileiras estão em um momento muito único ao meu ver da percepção da sua própria imagem e existência. Faz muito mais sentido pra mim fazer 10 ilustrações para essas mulheres a preços acessíveis do que vender uma tela para alguém que sabe pouco do que falo pelo valor dessas 10 ilustrações.

Nesse momento eu não me interesso tanto pelo papel de artista e sim pelos caminhos que o meu trabalho podem me levar, as historias que vou escutar, estar de corpo e alma no mesmo lugar, enfim, sinto falta de experiências mais reais, de relações que transcendam os interesses impostos.

Não sei se foi porque finalizei 2016 assistindo into the wild (hahaha), mas o que eu sinto é uma vontade desesperada de compartilhar o que me tornei e ter sabedoria pra perceber o tanto que eu ainda posso aprender. Acho que esse é o ponto de partida pra qualquer tipo de relação que eu venha ter daqui pra frente.

Eu não tenho dinheiro de sobra, mas também não tenho problemas. Abrir mão de possuir coisas materiais e ser vegana foram as melhores decisões que tomei na minha vida. Eu tenho o dinheiro que preciso pra comer, sair e comprar coisas básicas. Quando sobra eu guardo pra viajar e assim estou há um ano. Só comprei roupa esse ano porque emagreci muito e tava tudo caindo. O que tenho na vida são duas caixas organizadoras na casa dos meus pais com os meus documentos, cartinhas de amor, poucos livros e o acervo de desenhos da negahamburguer e comigo uma mala com roupas, sapatos, produtos de higiene básica e materiais de tattoo e pintura.

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Ah! eu também tenho um bambolê  ❤

Eu sinto uma liberdade enorme quando penso que é só colocar tudo dentro da mala, fechar e pronto! posso ir pra onde eu quiser.
Há uns meses atrás fui convidada a fazer um publidocumentário para a RayBan falando um pouco de como encaro isso:

E de tudo que aprendi dolorosamente em 2016, quero colocar em prática da maneira mais leve possível em 2017.

Eu boto muita fé que esse ano vai ser lindo pra todas nós .

Espanha, Itália e França – março, abril e maio 2016 – perrengues e alegrias.

Eu nunca tinha pensado em conhecer a Espanha. Na verdade nunca foi uma brisa minha conhecer a Europa com exceção da Islândia  que vai ser a viagem da minha vida e dos países nórdicos pela arquitetura e natureza. Pois bem, eu estava com depressão e achei que poderia ser uma boa ideia ir pra lá, uma tentativa de ir pra longe e ficar bem, descobrir o sentido da vida e todas essas coisas que a gente pensa quando viaja querendo fugir um pouco de nós mesmos. Minha terapeuta disse que o incômodo que eu sentia não mudaria se eu fosse pra outro lugar. Ela estava certinha. Ela é ótima! Aliás, saudades terapia…
No primeiro mês fiz tudo que alguém não faria quando se vai a Europa pela primeira vez. Não fui a lugares turísticos, acordei tarde, fiquei dentro de casa.
Fiquei muito tempo só. A casa onde estava hospedada era perto de uma montanha que tinha uma vista 360º de Barcelona, perto do Parque Guell. Subi lá algumas vezes pra fumar um, pensar na vida, no que eu estava fazendo alí, o que eu estava buscando. Nunca me senti tão perdida. Subia na esperança de ver um sinal divino me dando uma direção. Obviamente não aconteceu.

No meio de tanta bagunça interna senti uma sensação boa no decorrer dos dias: não ter medo na cidade. Me sentia segura voltando bêbada ás 2 da manhã escutando um som no fone de ouvido. Sério! que sensação incrível. Até pensei que queria morar lá por causa disso, mas passou. hahaha.

Em dois meses de rolê eu guardo no coração somente o segundo mês. O primeiro foi remoendo tristezas que eu já conhecia, ganhando novas tristezas com energias pesadas qu me rodeava, fui pra Itália participar de uma feira de publicações independentes e foi de longe o pior rolê da minha vida, um cara me agarrou na rua, só conheci macho babaca e ainda demorei dias pra sair de lá por uma treta que não era minha. Enfim, aquele período na vida que eu tô bem de boa de lembrar.

O segundo mês foi incrível! Conheci as pessoas mais lindas que poderiam ter aparecido no meu caminho, colei meus lambes em pontos muito legais de Barcelona, conheci a cidade toda, várias brejas artesanais, recebi o abraço mais puro da minha vida, comidas veganas maravilhosas, fiz amigos que quero muito ver outra vez. Deu até um calorzinho bom na alma lembrar de tudo isso.

Eu não era de fazer registros fotográficos (agora eu sou), mas tenho algumas ~ibagens que representam bastante como as coisas foram.

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Essa foto retrata a vibe do primeiro mês de viagem.

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Ok. Esporadicamente aconteciam momentos bonitos no primeiro mês.

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Parque Guell bem lindo, porém estava sem cabeça pra curtir rolê turístico. Só fui porque é na mesma rua onde fiquei hospedada. Hahahaha

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Foto horrorosa de alguma ruína em Bologna, na Itália. Horrorosa como todos os meus dias nesse país. Só tenho foto porque a minha ex-sogra pediu.

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No caminho de resolver a treta que não era minha, conheci o sul da França. Por onde passei é bem parecido com Araraquara, só que sem o cheiro enjoativo de laranja. HAHAHAHA

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Sorrindo, porém chorando.

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O trampo que mais gostei de ter feito em Barcelona.

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Ainda bem que a vida deixa a gente viver umas histórias legais, né… Montserrat fica há umas duas horas de Barcelona e é um dos lugares mais bonitos que fui nessa viagem com a história mais doce que tenho pra contar. (por enquanto, assim espero)

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Se você for pra Montserrat e no caminho ver alguma fonte d’agua, talvez encontre um pedaço do meu coração por perto.

Depois de acampar em Montserrat, Eu já não tinha mais onde ficar em Barcelona, então decidi conhecer Madrí. Consegui um blablacar de Vilanova I la Geltru direto pra lá, mas obviamente alguma coisa daria errado, né mores. Quando estava indo pra Vilanova a pessoa cancelou minha viagem e eu estava longe de tudo e sem ter onde dormir naquela noite porque advinhem só: não tinha um fuckin’ hostel na cidade. Tive uma “pequena” crise de ansiedade/nervoso/queria estar morta, larguei as malas e comecei a chorar, mas sempre aparece um abraço pra salvar.

No dia seguinte eu tinha um mapa muito mal desenhado (desculpa, estava bem difícil de entender) de onde deveria pegar uma carona de amigo do amigo do amigo não sei de quem e as minhas coisas.

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Eu tinha muitas horas pra esperar o outro blablacar e pouca coisa pra fazer, então desenhei a cidade, fiz fotos conceituais, fiz selfies também. Teria sido massa se o Pokémon Go existisse nessa época.

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Não parece, mas eu estava bem fedida depois de horas debaixo desse sol.

E finalmente a carona chega! Um furgão com 8 lugares que daria carona para mim e pra mais 6 pessoas. Daria. Se o furgão não tivesse quebrado no meio do caminho. HAHAHA.
Ficamos toda a tarde esperando o seguro do carro chegar pra levar a galera até o lugar mais próximo que tivesse civilização.
img_8853Enquanto isso não acontecia, fizemos amizade com os dromedários de uma mulher que morava no meio do nada. Ela era da Letônia e disse que trabalhou em um banco na Alemanha e na Irlanda também. Então tá.

Depois de dividir muitas historias de vida com uma mina colombiana abençoada que tinha um gato na mala e um beck, o carro do seguro finalmente chegou. A galera se aglomerou pra ir embora no primeiro.
Sobraram mais 4 pessoas. Euzinha, Paloma que e a dona do carro que quebrou e mais dois caronas. Pegamos o segundo táxi do seguro e chegamos em uma cidade chamada Zaragoza. Pra resumir, Todo mundo foi embora pegando trem, alugando carro ou bus e a Paloma iria ficar sozinha, sem carro, sem grana porque todo mundo foi embora sem pagar o blablacar dela, sem roupa de frio porque estava contando que voltaria pra casa naquela noite. Decidi ficar com ela no terminal da cidade na madrugada porque mina não deixa outra mina sozinha, né migas. Olha aí a oportunidade de exercer a empatia e sororidade que a gente tanto fala na internet, né?  Com a ajuda das Deusas achamos o único boteco aberto nas redondezas.

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Já estávamos ferradas mesmo, então a gente comeu um junkie food muito do mal e tomamos breja.
Depois de satisfeitas, voltando pro terminal achamos um gatinho perdido e Paloma que tem em sua casa 21 coelhos (é serio!) quis adotar o pobrezinho, mas depois de muitas tentativas de atrai-lo, o gato fugiu e a gente viu que era melhor ir logo pro terminal. Lá conhecemos um tiozinho da Romênia que disse que em seu país faz -25 graus e que tava de boa com os 0 graus daquele momento. Depois de muitas emoções e trocas de cultura, ás 5 da manhã peguei um bus pra Madrí me despedindo com um abraço muito confortante de até logo da Paloma.

Eu achei Madrí muito legal mesmo, mas as pessoas que eu estava também ajudaram bastante. Fiquei hospedada na casa de um casal do Pará. Eles são muito maravilhosos. Também curtiam emo em 2004 e ficamos relembrando vários sons e trocando muitas ideias. Esses dois eu sei que vou encontrar de novo. Não aceito não encontrar eles de novo nessa vida e tenho dito.
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Montando esse post descobri que só tenho essa foto de Madrí. Significativa.
Usei meu tempo sendo o mais leve que eu conseguia ser, tomando mais cervejas e me despedindo dos momentos mais singulares que viví.
Meu último dia de Madrí foi também o dia do último abraço. Depois de ver aqueles olhos com cor de praia de imagem de fundo do Windows pela ultima vez, apertei bem forte o isqueiro do snoopy que ganhei antes desses mesmos olhos irem embora e chorei até dormir alí mesmo no aeroporto. Um dia desses eu chorei igual, mas de boa. Vida que segue, né.

Voltei pra Barcelona na última semana pra fazer um graffiti que fui convidada e curtir os últimos dias com a Paula que apareceu como um anjo nessa viagem e que segurou a minha onda mais do que ela mesma imagina.
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Colamos esse lambe juntas em Can Batlló, uma ocupação em Barcelona com uma história incrível de união de moradores em defesa de melhorias para o bairro.

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E esse foi o meu último trampo, no último rolê, no último dia dessa viagem que mudou a minha vida, o meu jeito de pensar e de fazer as coisas.

Aconteceram as coisas mais improváveis dentro e fora de mim nesse período. Até os piores dias eu levo com carinho porque sem eles eu não teria aprendido a me afasta de coisas que me fazem mal. Aprendi a viajar, aprendi que existem pessoas incríveis no mundo por mais que o cotidiano diga que não, aprendi a perceber o que os momentos de perrengues tem pra ensinar e que o mundo não é tão grande como eu pensava que fosse.

Foi legal conhecer essa parte do planeta e ano que vem eu pretendo voltar ao continente colonizador, mas voltei gostando muito mais do meu país e dos nossos vizinhos.

Faria tudo de novo.

mas eve, você não estava mochilando?

Sim. E ainda estou.
Escolher Buenos Aires como um ponto fixo é só uma maneira gostosa e estratégica de viajar mais por estar em uma localização incrível nessa parte do mundo.
Esses últimos dois meses foram muito singulares na minha vida. Chorei e sorri com muita intensidade, aconteceram coisas nesse período que caberiam em anos, conheci pessoas que nunca vou esquecer, senti (e ainda sinto) muita saudade e tomei as decisões que mudarão a minha vida pra sempre.
Decidir vender as poucas coisas que tinha em São Paulo não foi uma tarefa difícil. Eu apenas fui intuitiva e não sabia que falta de certezas me faria tão feliz.
Em meio a tanta coisa nova, deu uma vontade de aprender a tatuar de verdade porque fiquei na casa de uma amiga tatuadora em Curitiba e ver seus trabalhos me inspirou. Estou mega feliz com os trabalhos que fiz nesses dois meses de tattoo. Além de ser uma forma de me manter nas viagens, elas tem me trazido muita gente incrível pros meus dias. Estou eternamente grata pelas coisas estarem como estão.

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Janelinha de Montevidéo – Essa tattoo trouxe a pessoa que vou olhar pra cara quase todos os dias a partir de agora. Conhecí a Aline por causa desse trampo e agora iremos dividir apê aqui em Buenos Aires. Minha idéia é tatuar desenhos de lugares por onde estou passando com o mochilão. Me apaixonei pelas janelas de Mondevidéo.

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Universo – A Rô me ofereceu hospedagem em Pelotas e foi uma das pessoas mais iluminadas que cruzei nessa viagem.

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Bud – Conheci a Camila em 2014 quando conheci também Buenos Aires e ela sempre faz o rolê ser mais divertido.14233457_304041409963285_14817738_o

Casinha de Montevidéo – Mais uma na minha companheira de casa, a Aline.
Para todos que perguntaram como está sendo a viagem: Ela está sendo linda e extremamente importante para eu ficar comigo mesma. Gostar da própria companhia é transcendental. Aos quase 28 anos estou provando a delicia de ser eu.

Obrigada.

 

Escutando: Umnavio – Mais seis meses no mar